I. Esta terra que tudo dá é a terra santa que me mantém. A terra estéril da seca é a mesma que no cio da colheita semeia o ciclo das estações, fecundando sonhos e esperanças, germinando choros, frustrações. Eu sou filho da Mãe Terra, e muito mamo em suas tetas sujas do barro que alimenta vermes e da areia que move ampulhetas; mamas rijas como as pedras em que tropeço, e que jorra o leite escuro de suas glândulas mais íntimas. Terra ferida e marcada por cicatrizes geográficas, que recicla a erosão em paisagens verdejantes, e faz purgar a vida que perdura tempos, águas, lógicas. Terra que eu piso e me dá diamantes. – Ó, deusa Gaia, virgem, gaja, gueixa... mãe de todos os seres e não-seres, aqui soluço uma guaia, mistura de mágoa e queixa: em teu seio vou estar até quando me comeres! II. É em Minas que vivo a terra plenamente. Em Minas estou repleto de terra. O árido e o fértil são pólos, extremos que temos em nós e na terra. Terra: complemento do Céu, e não seu oposto. Nada vem da terra ...