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Showing posts from October, 2008

CONFISSÃO

A hora morta em que as luzes silenciam é quando gritam pavores bem dentro de mim. Assim convivo com o temido e calo aos poucos o faminto que me habita, o ser voraz que move a vida. Qualquer delírio assombra, Mesmo o mais ínfimo. Estou náufrago de esperanças, estupefato em apatias. E a vida passa. Porém, no fundo íntimo do abismo, além do ego e daquilo que turva, fere e deforma, existe um farto que grita não de temor, mas de gana. Uma centelha que clama por incendiar-se. Esse desejo da alma, esse saber-se infinito espera inquieto e me devora. Essa latência do grito é desde sempre, é sempre agora é um atraso que não tem hora. Este sou eu, pleno, inconformado por parecer o fraco que chora.