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Showing posts from March, 2009

DÁDIVA

Conceber é também ser um pouco Deus. Requer um zelo sábio, desapegado, de entrega, que só os plenos sabem. As mães são plenas. Levitam como plumas mesmo nas tormentas, deságuam lágrimas por nada e ainda assim não secam. As mães são esses seres fortes e suaves, provedoras abundantes, fontes de afeto e consolo. Só nos recônditos das mães a gente encontra isso: o sossego mágico da gênese, silêncio grávido de caos que é a vida em seu começo. Ouçam! Uma mulher agora é mãe. Nela há mistério e comunhão, frutos de um encontro. Mulher sagrada. Abençoada. Dentro dela uma vida se segrega, sangue do seu sangue, sopro no seu ventre. E, assim, viver já não é como antes...

AHORA

Apesar de mim, um passo e outro adiante a pisar assim a incerteza dos vãos. Apesar do fim, um início confiante. A pesar um sim, no deserto de nãos. Vou embora porque sim. Vou, embora haja um fim. Vou lá fora, hoje, assim. Voo agora para mim. Posso um passo, posso outro. Fora, passo Dentro, um poço. Um fica Um passa Um piso Um passo Um salto Um poço Um voo Um pássaro. No vão eu vou. Deserto adiante. Um centro incerto. O sim e o não. Em mim um outro assim assaz Passada a hora Agora Fim.