A tristeza é esse esvaziamento
bem dentro da gente,
um ruir que abre espaço
pras coisas internas.
E o olhar contempla,
intentando assimilá-las
e completar a gente
do que vem de fora.
Não quero ser
um poeta da tristeza,
mas entendê-la,
revelá-la bela.
Porque quando se está triste
um senso novo se abre
e percebe
a oclusão do existir,
a fugacidade intermitente,
as cores desbotadas,
ancestrais,
de que tudo é feito.
18.2.10
A GURU
A guru profere
uma palavra,
uma sentença
ela vaticina.
De sua boca sai o destino
de homens e mulheres.
A guru é louca
e a loucura fere.
Mulher loquaz
sem moderação de palavras.
A guru fala muito,
não sabe ser guru.
Condena o logos,
mas é dele escrava.
Pobre guru,
mãe da mediocridade,
rainha solitária.
Usa seu dom
para conceber
e dar à luz
ideias estéreis.
Desperdiça-se.
Sim, a luz é necessária!
É a luz que revela,
não ela.
Quem só olha para a luz,
cega a si próprio
e já não vê,
alucina.
O que a guru diz
não vem da retina
nem do coração,
mas da mente.
É imaginação.
Nenhuma revelação,
nenhum espelho possível
para a guru.
O mundo não comporta mais
uma verdade.
O Homem não suporta mais
tantas certezas.
A guru não percebe o evidente:
a verdade é um aspecto.
E rejeita a filosofia – pena.
Não a rejeitasse saberia a verdade
como um espectro socrático.
Que a guru leia isso como quiser.
A guru, aliás, gosta de leituras,
mas não lê um livro sequer.
Quer ser guru. E só.
Sinto muito, gosto da guru,
mas vou deixá-la.
De agora em diante,
minha mestra é a Ação.
uma palavra,
uma sentença
ela vaticina.
De sua boca sai o destino
de homens e mulheres.
A guru é louca
e a loucura fere.
Mulher loquaz
sem moderação de palavras.
A guru fala muito,
não sabe ser guru.
Condena o logos,
mas é dele escrava.
Pobre guru,
mãe da mediocridade,
rainha solitária.
Usa seu dom
para conceber
e dar à luz
ideias estéreis.
Desperdiça-se.
Sim, a luz é necessária!
É a luz que revela,
não ela.
Quem só olha para a luz,
cega a si próprio
e já não vê,
alucina.
O que a guru diz
não vem da retina
nem do coração,
mas da mente.
É imaginação.
Nenhuma revelação,
nenhum espelho possível
para a guru.
O mundo não comporta mais
uma verdade.
O Homem não suporta mais
tantas certezas.
A guru não percebe o evidente:
a verdade é um aspecto.
E rejeita a filosofia – pena.
Não a rejeitasse saberia a verdade
como um espectro socrático.
Que a guru leia isso como quiser.
A guru, aliás, gosta de leituras,
mas não lê um livro sequer.
Quer ser guru. E só.
Sinto muito, gosto da guru,
mas vou deixá-la.
De agora em diante,
minha mestra é a Ação.
| Reações: |
ESCONJURO
De lápis-lazúli
é a tua lápide,
ornamentando
o teu destempero.
Teu ócio jaz
com a vaidade
que corrói as horas
com pompa vã.
Nenhum afeto
adere à superfície
porosa
do teu ego.
Retira a tropa
da arrogância
do santo campo
de batalha.
Regride à tua
infelicidade,
regressa ao nada
que és. Recua!
Encontra a verdade
que paira sobre ti:
Repara a morte
que te sorri.
Se tudo passa,
não há quem possa
salvar-te, pois.
Repousa em paz.
é a tua lápide,
ornamentando
o teu destempero.
Teu ócio jaz
com a vaidade
que corrói as horas
com pompa vã.
Nenhum afeto
adere à superfície
porosa
do teu ego.
Retira a tropa
da arrogância
do santo campo
de batalha.
Regride à tua
infelicidade,
regressa ao nada
que és. Recua!
Encontra a verdade
que paira sobre ti:
Repara a morte
que te sorri.
Se tudo passa,
não há quem possa
salvar-te, pois.
Repousa em paz.
| Reações: |
Subscribe to:
Posts (Atom)