A guru profere uma palavra, uma sentença ela vaticina. De sua boca sai o destino de homens e mulheres. A guru é louca e a loucura fere. Mulher loquaz sem moderação de palavras. A guru fala muito, não sabe ser guru. Condena o logos, mas é dele escrava. Pobre guru, mãe da mediocridade, rainha solitária. Usa seu dom para conceber e dar à luz ideias estéreis. Desperdiça-se. Sim, a luz é necessária! É a luz que revela, não ela. Quem só olha para a luz, cega a si próprio e já não vê, alucina. O que a guru diz não vem da retina nem do coração, mas da mente. É imaginação. Nenhuma revelação, nenhum espelho possível para a guru. O mundo não comporta mais uma verdade. O Homem não suporta mais tantas certezas. A guru não percebe o evidente: a verdade é um aspecto. E rejeita a filosofia – pena. Não a rejeitasse saberia a verdade como um espectro socrático. Que a guru leia isso como quiser. A guru, aliás, gosta de leituras, mas não lê um livro sequer. Quer ser guru. E só. Sinto muito, gosto da guru,...