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RIZOMAS

(contribuições para o espetáculo RIZOMA, do coreógrafo Renato Vieira) - 1 - Eu quero beijos e a incerteza de um futuro. O que está por vir, há – e isso basta. Do tremor houve as quedas, as quebras, os cacos. E com eles, os cortes. E as colagens, as curas. Mosaicos do que fomos, lembranças dançando na memória. Assim somos: rizomas, em fragmentos sendo, dilacerados na crueza da paixão. Nossa vida é esta eterna sinopse. Quero te escrever em mim, te emaranhar no meu destino. O amor é isto: um início sem fim. Um descaminho. Aqui nos achamos e nos perderemos. - 2 - Meu corpo é território. Percorro ágil o que é fugaz mas corre dentro de mim, vigor que pulsa na entranha, crueza, tensão, repulsa. O mapa da pele. Morde agora a minha carne e faz chover em mim. Percebe o arrepio que anuncia no poro, um precipício se desfaz. Geografia do corpo. Esquece o músculo. A minha música vem do osso e assim eu danço com meu sacro. O que retumba é ancestral, não é a derme em cicatriz que aflora em fibras falh...