ANAMORADA
Escrevo para a namorada que não tenho:
a figura utópica platinada,
a mulher dourada, adorada e lânguida;
a alegria onírica e nublada, certeza frágil
imprecisão.
Poesia errante que consola um nada que há em mim.
Efêmero é o ócio em que a concebo deusa.
Infinita é a ponte que nos separa.
Há um abismo, sei, um vale imenso,
pomar de metáforas – algumas verdes, outras podres –
e um cavalo alado para percorrê-lo, também.
Escolhi a ponte. O porquê não sei...
Remei com versos plúmbeos
e naufraguei no mar da liberdade.
Saciei a sede num copo d’água. Era fino vidro:
não se quebrou, cortou-me o lábio.
Caco de sangue coagulado
fere mais do que cicatriza.
Tudo isso são bobagens, frases ao ar, palavras aleatórias...
Tal retórica de nada serve:
brincadeira de mau gosto.
Dou meu rosto à palmatória e a mão à poesia:
façam deles o que quiserem.
Há metafísica bastante para encher seringas descartáveis.
A mulher que não tenho é a Arte, e seus cabelos são longos.
Se oferece nua e seu corpo é amorfo.
Um balé de olhos e ouvidos passa por mim e danço;
as pernas do entendimento são paralíticas,
mas o que se move é intuitivo e sólido,
fossilizado em mim.
Tenho uma deusa e tive algumas namoradas.
Em cada uma, diferentes filigranas.
Muito amei a todas, mas
penetrar na Arte exige ereção de idéias...
Calma: nenhuma ansiedade.
A melhor conquista e noite são demoradas.
a figura utópica platinada,
a mulher dourada, adorada e lânguida;
a alegria onírica e nublada, certeza frágil
imprecisão.
Poesia errante que consola um nada que há em mim.
Efêmero é o ócio em que a concebo deusa.
Infinita é a ponte que nos separa.
Há um abismo, sei, um vale imenso,
pomar de metáforas – algumas verdes, outras podres –
e um cavalo alado para percorrê-lo, também.
Escolhi a ponte. O porquê não sei...
Remei com versos plúmbeos
e naufraguei no mar da liberdade.
Saciei a sede num copo d’água. Era fino vidro:
não se quebrou, cortou-me o lábio.
Caco de sangue coagulado
fere mais do que cicatriza.
Tudo isso são bobagens, frases ao ar, palavras aleatórias...
Tal retórica de nada serve:
brincadeira de mau gosto.
Dou meu rosto à palmatória e a mão à poesia:
façam deles o que quiserem.
Há metafísica bastante para encher seringas descartáveis.
A mulher que não tenho é a Arte, e seus cabelos são longos.
Se oferece nua e seu corpo é amorfo.
Um balé de olhos e ouvidos passa por mim e danço;
as pernas do entendimento são paralíticas,
mas o que se move é intuitivo e sólido,
fossilizado em mim.
Tenho uma deusa e tive algumas namoradas.
Em cada uma, diferentes filigranas.
Muito amei a todas, mas
penetrar na Arte exige ereção de idéias...
Calma: nenhuma ansiedade.
A melhor conquista e noite são demoradas.
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