Quando há tempo de pensar na vida é que a gente vive. Vejo a Natureza sendo e dela participo, entendo intimamente o mar se engastando no granito – estas pedras que já foram, com a África, a Pangeia. E percebo que as ilhas são ligadas pelo mais profundo vínculo talássico abissal. E que o vento nos perspassa do sopro que move as velas, os moinhos, as correntes, a História – até. Vento do onde, do quando, do além. Vento que erode e areja, que derruba e alça, que esculpe e arruína. Medo complacente do sublime. Esta vida em estado bruto sem o refinamento inútil, nem a lapidação do efêmero. Vida antiquíssima, ancestral, repetição imemorial do ser-estar e onde estamos encrustrados, jazida inesgotável de mobilidades. Pensar, então, sentir. Ser, assim, amar. No tempo de pensar a vida, redescobre-se o amor latente.