DESCOMPASSO

Moça, desculpa: não sei dançar.
Meus pés são ágeis pra fugir, apenas.
Que passa que não acerto o passo?
E piso o pé – ui! – e piso em falso,
só dou vexame no salão...

Moça do céu, vixe, que as pernas chegam a dar nó!
Se não há dança pra dançar só,
como fazer pra te acompanhar?

A orquestra pára e sigo em frente,
escorrego e tombo – não há quem agüente.
Atropelo mútuo no baile da vida.

Estamos na pista e não temos par.
A música chama para dançar, mas
se vou, não danço,
se danço, erro.

A dança do amor, enfim,
é ridícula.
Bela.
Mas ridícula.

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