MUDO

Eu mudo.
Não calo aquilo que emudece em mim.
Erram meus pés o colo do mundo,
eram de barro e jorravam terra no chão.
Hoje o que são?
Pés à paisana, asfálticos,
protegidos do negrume urbano.

Que toque os pés a pele da natura
lave-os de argila e eleve às copas
o adubar-se do silêncio grávido
de um grito:
o de ser humano.

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