O ELIXIR

No exílio de mim,
a desmedida necessária,
dose báquica do não-ser,
ausência outra da vontade.

Sucesso e glória ardem lá fora.
O alcance é nada,
um dardo cego,
um gotejar dos cântaros
do vão,
diluída ambição
no pingo do descaso.

O vinho nobre do âmago transborda
cálice obscuro a abrir-se-me,
eclipse,
sede do deslumbre insaciável.
Ser duplo em êxtase, apaixonado,
querer sem rumo ou predicado
desfrute lépido,
conhecimento avesso do mundo.

Beber filosófico:
no ingerir decanto
o olhar curtido
do encanto.
Encontro o outro.
Troco.
Toco a intangível
falta permanente.

Abandono inconseqüente ao ser
sozinho ser para vir-a-ser.
Devir de mim mesmo.
Dono do eu.
Deus.

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