O TEMPO QUE FOR
Descobri alegria.
Alívio por saber que havia,
oculta que fosse.
Do fosso da alma uma brecha
improvável rasgou
e de lá
da lama imunda
o mundo se mostrou outro.
Belo que seja.
E, sujas, as mãos escavaram pedras
negras de limo
– as unhas rotas como cascos.
A nesga de luz invade a treva,
em desvantagem a vence.
E vê-se a vida com os olhos
de retinas virgens: o verde,
o azul primário e o profundo,
a terra.
E o ar rebenta fresco no peito.
Respira-se!
Véus já não há. Vejo. Ouço. Sinto.
Certezas não tenho.
Sincero comigo digo:
“Espera, Rodrigo. Confia.
Ser apressado dissipa
essa brisa pueril.”
Difícil arte esta: crer
apesar das lembranças.
Mas, alegre por enquanto,
aguardo o tempo que for
pela boca em flor
desabrochando um beijo.
O teu.
Alívio por saber que havia,
oculta que fosse.
Do fosso da alma uma brecha
improvável rasgou
e de lá
da lama imunda
o mundo se mostrou outro.
Belo que seja.
E, sujas, as mãos escavaram pedras
negras de limo
– as unhas rotas como cascos.
A nesga de luz invade a treva,
em desvantagem a vence.
E vê-se a vida com os olhos
de retinas virgens: o verde,
o azul primário e o profundo,
a terra.
E o ar rebenta fresco no peito.
Respira-se!
Véus já não há. Vejo. Ouço. Sinto.
Certezas não tenho.
Sincero comigo digo:
“Espera, Rodrigo. Confia.
Ser apressado dissipa
essa brisa pueril.”
Difícil arte esta: crer
apesar das lembranças.
Mas, alegre por enquanto,
aguardo o tempo que for
pela boca em flor
desabrochando um beijo.
O teu.
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