PURGATÓRIO DE PALAVRAS
Padeço.
O mundo lógico impõe seu preço: palavras.
Quantas vezes não morremos feridos por elas?
Sílabas tônicas marcando o ritmo de nossos passos,
cartas marcadas num jogo de métrica. Verso,
agora verso o teu inverso, manejo
a tática de reverter-te, tateio
por entre as farpas paroxítonas, reviro
arames fortes com voltas várias, padeço
nas quatro linhas do mesmo cárcere. Seu servo
eu sou. Escravo.
Escavo
uma saída com a mão
direita, motor de idéias articuladas,
grafando um túnel na escuridão do caos;
e quanto mais penetro, mais me perco:
o profundo é vão.
Palavras:
vocábulos lavrados no palato do inferno,
vibratos vacilantes na garganta do diabo,
magma purgando das entranhas da idéia,
chagas de quem chora a incomunicabilidade.
O mundo lógico impõe seu preço: palavras.
Quantas vezes não morremos feridos por elas?
Sílabas tônicas marcando o ritmo de nossos passos,
cartas marcadas num jogo de métrica. Verso,
agora verso o teu inverso, manejo
a tática de reverter-te, tateio
por entre as farpas paroxítonas, reviro
arames fortes com voltas várias, padeço
nas quatro linhas do mesmo cárcere. Seu servo
eu sou. Escravo.
Escavo
uma saída com a mão
direita, motor de idéias articuladas,
grafando um túnel na escuridão do caos;
e quanto mais penetro, mais me perco:
o profundo é vão.
Palavras:
vocábulos lavrados no palato do inferno,
vibratos vacilantes na garganta do diabo,
magma purgando das entranhas da idéia,
chagas de quem chora a incomunicabilidade.
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