REGISTRO

Efemeridade.
E nós enfermos desta condição,
preferindo o eterno e o etéreo,
proferindo monumentos,
não momentos,
a trocar o mero
pelo consagrado.

Por mais
que o artista insista
em deter a obra,
quem a tem é outrem:
seu ouvirolhar
é que o faz
criador fugaz.

O Teatro é por ser feito,
e o ator é ostra-e-pérola,
se um agora eclodir.
Do caos desse presente,
verbo ser mais-que-perfeito,
se conjuga uma chama:
cena.

Registro qual?
Há finalidade no paradoxo?
Tão essencial
ou desprezível quanto isto,
é um eco do espetáculo
quando não-saudoso
e não-vivido.

Afinal:
a vida
não dura mais do que
ela própria.

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