TEMPORAL
Desisto, então, e te deixo.
Sem despedidas,
sem último beijo.
O ar imóvel e abafado prediz
a chuva que virá.
Temporal.
E ruas inundarão, árvores vão cair,
a cidade será caos com o dilúvio.
Pessoas vão morrer (ou se salvar por um triz).
Mas não eu,
nem você.
Nem ninguém: lágrimas não matam.
As coisas vão mesmo esfriar, esvanecer
e com o tempo serão lembranças, só.
Um tempo de nos evitarmos.
Um tempo para ouvir o apoio de amigos.
Um tempo de nos esbarrarmos na rua
– tempo de formalidades, aquele sem olhares cruzados,
sem toques no braço do outro, sem sorrisos charmosos,
sem abraços apertados.
Em outros tempos, passamos por lá
de mãos dadas, sonhando.
O suspiro se foi e agora é o ar abafado
nos fazendo suar frio num calor desses.
Logo o tempo vira e a chuva virá,
intensa mas sem ira.
Sem pena irá lavar a mesma rua de água,
depois lama
e folhas e lixo e fezes.
E o que um dia sentimos jazerá
soterrado sob os pés
de mil homens e mulheres.
Sem despedidas,
sem último beijo.
O ar imóvel e abafado prediz
a chuva que virá.
Temporal.
E ruas inundarão, árvores vão cair,
a cidade será caos com o dilúvio.
Pessoas vão morrer (ou se salvar por um triz).
Mas não eu,
nem você.
Nem ninguém: lágrimas não matam.
As coisas vão mesmo esfriar, esvanecer
e com o tempo serão lembranças, só.
Um tempo de nos evitarmos.
Um tempo para ouvir o apoio de amigos.
Um tempo de nos esbarrarmos na rua
– tempo de formalidades, aquele sem olhares cruzados,
sem toques no braço do outro, sem sorrisos charmosos,
sem abraços apertados.
Em outros tempos, passamos por lá
de mãos dadas, sonhando.
O suspiro se foi e agora é o ar abafado
nos fazendo suar frio num calor desses.
Logo o tempo vira e a chuva virá,
intensa mas sem ira.
Sem pena irá lavar a mesma rua de água,
depois lama
e folhas e lixo e fezes.
E o que um dia sentimos jazerá
soterrado sob os pés
de mil homens e mulheres.
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