TERRA
I.
Esta terra que tudo dá
é a terra santa que me mantém.
A terra estéril da seca é a mesma
que no cio da colheita
semeia o ciclo das estações,
fecundando sonhos e esperanças,
germinando choros, frustrações.
Eu sou filho da Mãe Terra, e muito mamo em suas tetas
sujas do barro que alimenta vermes
e da areia que move ampulhetas;
mamas rijas como as pedras em que tropeço,
e que jorra o leite escuro
de suas glândulas mais íntimas.
Terra ferida e marcada por cicatrizes geográficas,
que recicla a erosão em paisagens verdejantes,
e faz purgar a vida que perdura tempos, águas, lógicas.
Terra que eu piso e me dá diamantes.
– Ó, deusa Gaia,
virgem, gaja, gueixa...
mãe de todos os seres e não-seres,
aqui soluço uma guaia,
mistura de mágoa e queixa:
em teu seio vou estar
até quando me comeres!
II.
É em Minas que vivo a terra plenamente.
Em Minas estou repleto de terra.
O árido e o fértil são pólos, extremos
que temos em nós e na terra.
Terra: complemento do Céu, e não seu oposto.
Nada vem da terra
porque
tudo da terra vem.
A terra dá de tudo: dádiva
de opostos e complementares.
A ambigüidade, sendo derivada
da diversidade, também é
atributo da terra.
E a repetição.
A repetição também o é.
E devido à sua diversidade
e repetição,
Minas é um tributo à terra,
ou, simplesmente, dela dádiva.
Tal qual a poesia.
III.
E assim encerro:
ser maduro é estar verde para a eternidade,
ou, quem sabe, podre para o fim.
O que faz a planta nascer e morrer
é o que há antes dela:
a terra, útero da existência.
E no entanto, ela – a terra
– não morre junto com a planta.
A cinza não é mais cinza, mas argila,
quando a vida come a morte,
que comeu a vida sobre a terra.
A morte é o húmus que aduba
e a semente verde é o esperma.
Terra:
ávida de morte,
grávida de vida.
Ser maduro é estar apto a ser colhido,
e a colheita exige uma dureza maleável como o solo:
madureza.
Esta terra que tudo dá
é a terra santa que me mantém.
A terra estéril da seca é a mesma
que no cio da colheita
semeia o ciclo das estações,
fecundando sonhos e esperanças,
germinando choros, frustrações.
Eu sou filho da Mãe Terra, e muito mamo em suas tetas
sujas do barro que alimenta vermes
e da areia que move ampulhetas;
mamas rijas como as pedras em que tropeço,
e que jorra o leite escuro
de suas glândulas mais íntimas.
Terra ferida e marcada por cicatrizes geográficas,
que recicla a erosão em paisagens verdejantes,
e faz purgar a vida que perdura tempos, águas, lógicas.
Terra que eu piso e me dá diamantes.
– Ó, deusa Gaia,
virgem, gaja, gueixa...
mãe de todos os seres e não-seres,
aqui soluço uma guaia,
mistura de mágoa e queixa:
em teu seio vou estar
até quando me comeres!
II.
É em Minas que vivo a terra plenamente.
Em Minas estou repleto de terra.
O árido e o fértil são pólos, extremos
que temos em nós e na terra.
Terra: complemento do Céu, e não seu oposto.
Nada vem da terra
porque
tudo da terra vem.
A terra dá de tudo: dádiva
de opostos e complementares.
A ambigüidade, sendo derivada
da diversidade, também é
atributo da terra.
E a repetição.
A repetição também o é.
E devido à sua diversidade
e repetição,
Minas é um tributo à terra,
ou, simplesmente, dela dádiva.
Tal qual a poesia.
III.
E assim encerro:
ser maduro é estar verde para a eternidade,
ou, quem sabe, podre para o fim.
O que faz a planta nascer e morrer
é o que há antes dela:
a terra, útero da existência.
E no entanto, ela – a terra
– não morre junto com a planta.
A cinza não é mais cinza, mas argila,
quando a vida come a morte,
que comeu a vida sobre a terra.
A morte é o húmus que aduba
e a semente verde é o esperma.
Terra:
ávida de morte,
grávida de vida.
Ser maduro é estar apto a ser colhido,
e a colheita exige uma dureza maleável como o solo:
madureza.
Comments