A GURU

A guru profere
uma palavra,
uma sentença
ela vaticina.

De sua boca sai o destino
de homens e mulheres.

A guru é louca
e a loucura fere.
Mulher loquaz
sem moderação de palavras.
A guru fala muito,
não sabe ser guru.
Condena o logos,
mas é dele escrava.

Pobre guru,
mãe da mediocridade,
rainha solitária.
Usa seu dom
para conceber
e dar à luz
ideias estéreis.
Desperdiça-se.

Sim, a luz é necessária!
É a luz que revela,
não ela.
Quem só olha para a luz,
cega a si próprio
e já não vê,
alucina.
O que a guru diz
não vem da retina
nem do coração,
mas da mente.
É imaginação.

Nenhuma revelação,
nenhum espelho possível
para a guru.
O mundo não comporta mais
uma verdade.
O Homem não suporta mais
tantas certezas.
A guru não percebe o evidente:
a verdade é um aspecto.
E rejeita a filosofia – pena.
Não a rejeitasse saberia a verdade
como um espectro socrático.

Que a guru leia isso como quiser.
A guru, aliás, gosta de leituras,
mas não lê um livro sequer.
Quer ser guru. E só.

Sinto muito, gosto da guru,
mas vou deixá-la.
De agora em diante,
minha mestra é a Ação.

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